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Pregos tortos

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Nosso complexo de vira-lata, para usar a ex-pressão criada pelo genial Nelson Rodrigues, aquele que conhecia a alma popular brasileira, em nada melhorou na sua evolução genética. Aqui a arte da desqualificação atingiu os píncaros da gló-ria pelo avesso. A cada gestão governamental o trade oficial volta a regurgitar vitórias que a prática desmonta. E ai de que ousar sustentar uma crítica. Acaba com a pecha de pobre invejoso que fala por não ter sido capaz de vencer na vida.Nos últimos dias, o Rio Grande do Norte, por denúncia deste jornal, tem assistido a uma revela-ção que se manteve bem escondida do noticiário: as tarifas cobradas de voos nascido aqui são em média 80% mais caras, em alguns casos chegam a mais de 100%, enquanto nosso trade anda pe-lo mundo a gastar nossos pobres reais. Retorna com as mais imaginárias conquistas que anunciam, quando na verdade se descobre, tempos depois, as malas vazias que trazem de volta. Nosso maior delírio, o que nos fez baixar as alíquotas do querosene para aviação, foi quando surgiu a notícia que a Latan instalaria no aeroporto de Natal o grande e revolucionário Uber, transfor-mando nosso destino num terminal de passageiros e cargas. Algum tempo depois, três companhias estavam instaladas no Ceará, uma nacional e duas internacionais, além de um em Recife. E ficamos a ver navios, aviões, fantasmas, lobisomens e, quem sabe, a besta-fera.

E assim vamos indo, de derrota em derrota, resultado de uma bancada federal fraca e sem atu-ação vigorosa, negociando emendas populistas e sem ter olhos para as grandes conquistas e agre-gações enriquecedoras da nossa economia. Endi-vidamo-nos construindo uma Arena a ser paga ao longo de vinte anos e não temos um hospital terci-ário e no porto fizemos uma estação de passagei-ros, quando não temos scanner para exportação de frutas, nossos melhores produtos.Um olhar isento revela que temos perdido to-das as guerras diante de uma classe política que teima em lutar pelas pequenas coisas de algum efeito eleitoreiro, como emendas para postos de saúde, quadras de esporte, praças e outros badu-laques, berloques e ornamentos para as fotos ofi-ciais. Esse varejo de pequenas ambições típicas de um provincianismo incurável, longe da grandeza intelectual provinciana de um Câmara Cascudo, nos leve aos fracassos, em Brasília.Há mais de cem anos Varela Santiago fun-dou nosso único hospital infantil que hoje é um exemplo de gestão pública, e há quase cinquenta anos construímos nosso último hospital geral de urgências, o Walfredo Gurgel. Não fosse a UFRN, e fundada há sessenta anos, não teríamos o Instituto Metrópole Digital e o Instituto do Cérebro, nossos sinais de modernidade. E a classe política a delirar batendo pregos tortos para encaixotar a verdade que a cada dia é mais flagrante.

AgoraRN | Por: Vicente Serejo
 
 Natal/RN - Brasil,