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Luis Romano, uma referencia no Brasil

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Luís Romano, foi um poeta cabo-verdiano, que várias vezes, foi referenciado na imprensa brasileira, sempre com respeito e distinção.

Luís Romano de Madeira Melo (Santo Antão, Cabo Verde, 10 de Junho de 1922) é um poeta, novelista e folclorista bilingue, com trabalhos em português e em crioulo cabo-verdiano da Santo Antão, idioma que prefere designar por "língua cabo-verdiana". Luís Romano de Madeira Melo vive no Brasil desde 1962.

Vacinado contra as fanfarras publicitárias, Luís Romano encontrou em Natal um refúgio, por muitos anos bucólico e pacífico, para a elaboração de uma obra que lhe requeria tempo e fé.

Engenheiro de profissão, especializado na extração e beneficiamento do sal e do petróleo, jamais negligenciou o seu trabalho de criação, destacando-se como ficcionista, poeta e ensaísta inspirado na cultura, na tradição e nos costumes de sua terra natal, o arquipélago de Cabo Verde, que passa a existir literariamente através do seu talento e de uma vontade que jamais se rendeu aos obstáculos que geralmente se interpõem entre o homem e o sonho, para dificultar a obra e fazê-lo desistir. Romano, porém, venceu inclusive a doença e os achaques da velhice e, hoje, vivendo em Petrópolis, na avenida Afonso Pena, tem no trabalho de criação e reflexão o pão com que alimenta cotidianamente o seu espírito fortalecido pelo ideal.

Desde jovem, em seu nomadismo que o levou, sobretudo por motivação profissional a diversos países da África, da Europa e da América do Sul, escolheu o caminho das realizações e não o do prazer e da dispersão. Assim, nesse comércio obsessivo e paciente com idéias e palavras, construiu lentamente ao longo de mais de sessenta anos a extraordinária representação de algo fora do tempo, ou seja, a grandeza contida num vasto e significativo painel cultural que justifica sua própria existência.

Li-o pela primeira vez no Açu, creio que em 1966, quando ao vasculhar as preciosidades da biblioteca particular da escritora Maria Eugênia Maceira Montenegro, sua amiga e admiradora, descobri um exemplar de "Famintos" com um autógrafo do autor. Notei que o prefácio fora escrito por um irmão de minha avó, o que aumentou o meu interesse por uma obra que me descortinava a literatura de uma terra distante que se resumira até então para mim pelo esplendor selvagem de suas praias e por ter sido, no alvorecer do Brasil, um entreposto do comércio de escravos para o Novo Mundo.

Creio que teria de catorze para quinze anos naquela ocasião. Ambientado em sua terra, "Famintos" impressiona por seu contundente realismo, ao radiografar a seca e o séqüito de miséria que acompanha o destempero climático. Guardei desde então o nome do autor, sem suspeitar que, por astúcia do destino, um dia nos tornaríamos amigos.

Prisioneiro do demônio da pesquisa, Luís Romano tomou para si, com uma precisão que nada deixa ao acaso, a árdua e apaixonante tarefa de dotar o seu país de uma literatura e de um idioma literários próprios. É, neste sentido, um escritor adâmico, aquele que nomeia pela primeira vez tudo o que existe de singular e relevante em Cabo Verde, no âmbito das letras, da sociologia, da etnografia, do folclore e da antropologia cultural.
Dotado do espírito de águia de um ancião, nada escapa ao seu instinto literário. Porém, a mais grandiosa invenção do seu poderoso intelecto é o Cabo Verde, a maior de suas obras, sua pátria e sua língua. Salvo seja.

...Durante a cerimónia, será também prestada uma homenagem especial ao poeta cabo-verdiano Luís Romano, radicado no Rio Grande do Norte desde os anos 60 e histórico militante da luta pela liberdade do seu povo, além de clássico unanimemente reconhecido das letras cabo-verdianas do século XX...
...Homenagem especial ao militante pela liberdade e poeta caboverdiano Luís Romano, radicado no Rio Grande do Norte, que teve um papel determinante na formação literária da consciência nacional caboverdiana e que conviveu com Luis da Câmara Cascudo...

Franklin Jorge - Jornalista e Escritor, Fontes: Jornais On-line no Brasil 
 
 Natal/RN - Brasil,