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Djalma Maranhão

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Djalma Maranhão
(Natal, 27.11.1915
Montevidéu, Uruguai, 30.07.1971)

Político, jornalista, desportista, escritor;
nome de Rua em Nova Descoberta;
e nome o Palácio dos Esportes.

O mais popular dos prefeitos da cidade do Natal, deste século Djalma Maranhão herdou a vocação para a vida pública legada por antepassados ilustres da sua família, como Pedro Velho e Alberto Maranhão. Foi deputado federal, deputado estadual (1954) e prefeito da capital potiguar em dois períodos: o primeiro, de 1955 a 1959, por nomeação do governador Dinarte Mariz, em função da vitória eleitoral da aliança UDN - Cafeísmo, nas eleições de 1955; o segundo, de novembro de 1960 a 02 de abril de 1964, quando foi eleito por voto direto em aliança com Aluízio Alves, apoiando a chapa nacionalista Lott-Jango. 

Desportista, jornalista, político carismático, notabilizou-se na vida pública como criador do programa de alfabetização “De pé no chão também se aprende a ler” inspirado na pedagogia do pernambucano Paulo Freire e que teve como executores o secretário de Educação, Professor Moacyr de Góes; Omar Pimenta, diretor de ensino municipal; Mailde Pinto Freire de Almeida, diretora da Diretoria de Educação e Cultura; Margarida de Jesus Cortez, diretora do Centro de Formação de Professores; Geniberto Paiva Campos, diretor do Ginásio Municipal; Josemá de Azevedo, executor da interiorização da campanha “De pé no chão também se aprende a ler”. Em sua administração a cidade ganhou, entre outras obras, o Palácio do Esportes, que leva o seu nome, a Estação Rodoviária da Ribeira, o Mercado da Rocas e o Centro de Formação de Professores, no Baldo. Fundou os jornais “O Monitor Comercial”, “A Folha da Tarde” e o “Diário de Natal”, e dirigiu o “Jornal de Natal”, de Café Filho.


Foi também grande incentivador da cultura popular, realizando no seu primeiro período administrativo os três maiores Festivais de Folclore de que a cidade tem notícia.

Nacionalista, ideologicamente de esquerda, simpatizante da Revolução Cubana, Djalma Maranhão foi alvo da repressão desencadeada pela Ditadura Militar de 1964. No dia 02 de abril de 1964, a Prefeitura Municipal de Natal foi invadida por tropas do Exército, dando prosseguimento ao golpe militar deflagrado no dia anterior. Djalma Maranhão foi deposto e preso e, numa demonstração de grande dignidade moral, repeliu a proposta Coronel Mendonça Lima, Comandante da Guarnição de Natal, de trocar sua liberdade pessoal pela renúncia ao mandato de prefeito. Em 15 de agosto foi transferido e confinado na ilha de Fernando de Noronha e, depois, levado para o 14º RI (Regimento de Infantaria), no Recife, onde fica internado no Hospital Militar.

Em outubro, o deputado Carvalho Neto obtém ordem de “Habeas Corpus”, por unanimidade do Supremo Tribunal Federal em seu favor, mas o Coronel João Dutra de Castilho, comandante do 14º RI, recusa-se a cumpri-la. Em novembro a segunda ordem de HC do STF é cumprida e ele é libertado. Viaja para o Rio, onde passa a ser hóspede do senador Dinarte Mariz, exilando-se, mais tarde, na Embaixada do Uruguai, onde redige o manifesto “Palavras do Povo”, em que afirma: “Não creio na validade de ‘habeas corpus’, neste momento”, e anuncia a decisão de ir para o exílio em busca de tratamento de saúde. Mas ressalva: “Confio que minha ausência será por pouco tempo”. Infelizmente, o grande homem público errou seu prognóstico. 

Em maio de 1965, é indicado na 7º Região Militar (Recife). Em julho, embarca para o exílio no Uruguai. Em março de 1969, é condenado a 16 anos e 6 meses, sob invocação da Lei de Segurança Nacional.

Morre no exílio uruguaino. Seu sepultamento em Natal, dias depois, mobilizou milhares de pessoas, demonstrando o apreço e o reconhecimento dos natalenses ao grande homem público que foi Djalma Maranhão.

 
 Natal/RN - Brasil,