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Lançamento do livro do Dr. Eloy de Souza e do escritor Octacilio Alecrim

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Conselheiro Valerio Mesquita

Permitam que o testemunho evocativo presida as primeiras palavras.Esta casa tem a força do resgate das estações. Quantos fatos idos e vividos, quantos passos e olhares perdidos no tempo posso recolher, nos compartimentos, no jardim impregnados nas folhas, nas rosas, nas pétalas dos "dedais de ouro" ou no jasmineiro debruçado há mais de sessenta anos sobre o muro da calçada e cansado de dar boa noite? A estátua da deusa Minerva, de louça portuguesa, chantada no centro do jardim, guarda sobranceira a beleza e o perfume das rosas. Mas a maior e mais antiga delas encantou-se. Deixando-a de cultivá-las associou-se, agregou-se a elas através do doce mistério contemplativo das manhãs, das repetidas manhãs de ressurreição, de que nos falou o escritor Nilo Pereira.

Câmara Cascudo, disse, certa vez, imerso nas brumas dos oitenta anos, que "era uma saudade em vida agarrada ao sonho de continuar a vive f. Não há força mais dramática na passagem do ser humano pela vida do que a do senso trágico da sua própria brevidade.

A residência em foco remonta ao final do século dezenove para o início do século vinte, quando foi adquirida pelo comerciante Alfredo Adolfo de Mesquita, filho de Manoel Carneiro de Mesquita, oriundo do estado da Paraíba.

Alfredo Adolfo de Mesquita, meu avô, além de agro-pecuarista, proprietário das fazendas Arvoredo, Telha e Lamarão, exerceu atividade comercial em Macaíba no ramo de lojas de roupas, calçados e bijuterias, bem assim em Natal à rua Dr. Barata (Natal Modelo e Casas Rubi) na avenida Rio Branco.

Do seu casamento com Ana Olindina de Mesquita, da família Baltazar Marinho, nasceram José, Alfredo, Amélia, Vicente, Paulo e Nininha. Em 1929, Alfredo Adolfo de Mesquita faleceu, sendo sucedido nas atividades pêlos filhos, como também na política.

Nesta residência, no dia 30 de maio de 2001, celebrou-se o centenário de nascimento de Nair de Andrade Mesquita, pois a história da casa é a história da família durante todo o século vinte. Ela foi a heroína política anônima, ainda crédula na grandeza do último milagre do velho PSD dos anos cinquenta, revivendo e reinventando as recordações limpas e as ilusões legítimas que um dia viajaram com ela.

Por último, cabe assinalar que esta construção, passarela permanente de notáveis e de humildes, sempre esteve aberta para receber o povo, ao longo de todo esse tempo. Ela se tornou uma referência, uma tradição dentro da história política, social e cultural de Macaíba. A partir de agora, como sede da Casa da Cultura preserva a memória JS abriga as manifestações culturais do povo, dos estudantes e dos artistas da terra de Auta de Souza. Foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Rio Grande do Norte, por decisão do Conselho Estadual de Cultura e do governo do estado.

Excelentíssimas autoridades, minhas senhoras, meus senhores:

Esta solenidade contempla valores significativos da memória cultural de Macaíba. O primeiro é a reedição dos três livros quase inéditos do conterrâneo Octacílio Alecrim: "Ensaios de Literatura e Filosofia", "Fundamentos do Stardard Jurídico" e "O Sistema de Veto nos EUA". Após o êxito do relançamento de "Província Submersa", sua obra maior, esses três ensaios enfeixam a beleza estilística intransferível do autor, numa tridimenção erudita de sua vasta cultura literária e jurídica. O segundo evento luminoso desta noite, com ternura incontida e prolongada, se refere a segunda edição das "Memórias" do notável Eloy de Souza, irmão de Auta de Souza e Henrique Castriciano, que, embora não tenha como eles raízes telúricas, mas as detém de forma emocional, vivencial e histórica, além do perfil do município e de sua gente. Eloy,e Octacílio, juntos assumem os contornos de um lirismo típico, tópico e até utópico, pela grandeza dos seus gestos e da erudição literária. Neles, as suas tintas captam o rumor do humano, a paisagem e o tempo, as sínteses memoriais de horas vividas e profundas.

Ilustríssimos familiares dos autores:

As facetas dos dois homenageados, dotados de poderes mágicos, que catalisavam e irradiavam através da conduta e da escrita as canções eternas da literatura potiguar, só foram possíveis de ser renovadas, graças a uma plêiade de amigos de Macaíba e do Instituto Pró-Memória, que em convênio com o Senado Federal possibilitaram a reedição dos seus livros. Queremos nos referir ao senador Garibaldi Alves Filho, líder inconteste e tutelar dessa iniciativa que honra e enobrece a cultura, que no dizer de Eduardo Herriot: “É o que fica quando tudo se esquece”.

Outro testemunho de agradecimento dirigimos ao ex-diretor do senado senhor Agaciel Maia, cuja prestimosidade impulsionou a confecção de todas as prefaladas reedições.

Minhas senhoras, meus senhores:

Emerson já afirmava que “toda instituição é a sombra prolongada de um homem”. Existem pessoas, que dentro dos seus misteres, se revelam, se destacam, através do equilíbrio, da criatividade, da seriedade, da inteligência, tudo como verdadeira logomarca. É a homenagem que prestamos, neste ensejo, ao elenco de personalidades sem a falácia do adjetivo laudatório mas com reconhecimento criterioso. Fernando Pessoa definiu bem a palavra dada e a idéia tida. Disse ele que “a vida é breve, a alma é vasta e a obra imperfeita”. Aprendemos, nós do Instituto Pró-Memória e da Casa da Cultura "Nair de Andrade Mesquita", as lições de humildade como se quiséssemos ensinar também que “pelos caminhos do mundo, nada se perde”. Por isso, reverenciamos com respeito e admiração, nomes como o senador Garibaldi Alves Filho e do médico Olímpio Maciel, presidente do Instituto Pró-Memória de Macaíba. São criaturas que pela conduta pessoal e profissional “humanizam o medo do mundo” como já falou o poeta Drummond. Daí, não silenciarmos. Ao revelá-los nossa emoção nos assegura que estamos certos. E em nome dela, dessa convicção interior os exaltamos de forma espontânea e forte, agradecendo a todos que fazem o Instituto e a Casa de Cultura, que sustentam suspensas no ar, aqui e agora, uma saudade de tempos idos e vividos, tal e qual o proustiano Octacílio Alecrim e o memorialista Eloy de Souza que nos restituem em seus escritos a memória táctil e olfativa de um universo humano desaparecido.

Por extensão, o nosso agradecimento se estende ao professor e mestre do Direito DR. Ivo Dantas que pediu diretamente ao então presidente do senado a reedição dos três livros como representante e descendente do tio-avô Octacílio Alecrim, bem assim, ao casal jornalistas Rejane e Vicente Serejo responsáveis diretos pela segunda edição de "Memórias" do incomparável Eloy de Souza. Manifesto, por último, a gratidão a todos que prestigiam esta noite, com as suas presenças, o legado luminoso dos nossos antepassados. Muito obrigado.

 

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