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A heranca do bem de Clovis Sarinho

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O senso de realidade está entre as qualidades que melhor definem o caráter de um médico. Mas isso não quer dizer que lhe falte capacidade para sonhar. É justamente por ter os pés bem firmes no chão, pisando com segurança no seu campo de especialização, que um médico pode ajudar a transformar o seu meio social a reverter as desigualdades de oportunidade produzidas pelas diferenças socioeconômicas.

Nesse aspecto, o médico Clóvis Sarinho foi um exemplo o qual não podemos perder de vista a fim de não subestimar o legado que ele nos deixou ao longo de sua vida como profissional, e, por extensão, como companheiro e cidadão comprometido com as causas do bem.

Nascido em Olinda, no Estado de Pernambuco, no dia cinco de junho de 1910, num meio social sob muitos aspectos adverso, foi em casa, junto ao aconchego da mãe e a vigilância do pai que ele aprendeu as primeiras letras, ao mesmo tempo em que recebia os valores fundamentais que moldaram seu caráter, como o sentimento de solidariedade com o sofrimento alheio, a partilha do alimento ainda que escasso, a perseverança nos estudos e a capacidade de planejar o futuro.

Com a transferência de seu pai, por razões profissionais, para o Estado de João Pessoa, Clóvis Sarinho teve a oportunidade de ingressar no Liceu Paraibano, onde fez os estudos primários e secundários sem dificuldades, o que possibilitou que se preparasse à altura para enfrentar o desafio maior na vida de todo jovem: o vestibular. Aos dezoito anos, vê seu nome listado entre os candidatos aprovados ao exame vestibular da Faculdade de Medicina do Recife, para alegria de seus pais e realização de um dos seus maiores projetos pessoais.

 

Enquanto estudante de Medicina, o jovem Clóvis dirigiu a Sociedade dos Internos, redigiu vários trabalhos científicos e realizou o I Congresso de Estudantes Internos de todo o país, revelando qualidades morais e técnicas em campos diversificados.

Formado em 1933, defendeu a tese “Osteomielite do ilíaco”. Nesse mesmo ano foi convidado pelo professor Barros Lima para ser seu assistente sem remuneração, o que foi forçado a recusar em vista de estar em início de carreira e ainda sem estabilidade financeira.

Pouco a pouco, porém, foi firmando seu nome no meio profissional potiguar e assumiu a direção do serviço de cirurgia do Hospital de Proteção e Assistência à Infância, na Paraíba, onde deu início à prática da cirurgia infantil.

No final de 1934 voltou ao Rio Grande do Norte, atendendo convite do professor Olavo Medeiros para assumir a direção do Hospital do Seridó sem remuneração. Apesar

disso, aí realizou com êxito mais de trezentas cirurgias. No ano seguinte, passou a dirigir a clínica cirúrgica do Juvino Barreto (hoje Hospital Onofre Lopes), por um período de sete anos, outra vez, sem remuneração.

A sua maior prova de desprendimento dos bens materiais, foi, porém, quando aceitou dirigir a Clínica Cirúrgica do Hospital Infantil Varela Santiago, cargo em que permaneceu durante quarenta anos. Foi ainda professor fundador de Técnica Operatória e Cirúrgica Experimental da Faculdade de Medicina da UFRN, além de ter construído e implantado o Hospital Professor Luiz Soares, tendo o cuidado de fazer constar nos estatutos dessa instituição sua transferência a uma instituição beneficente caso houvesse inviabilidade funcional. Associado a um grupo de colegas, fundou a Casa de Saúde São Lucas, apresentou várias obras científicas na antiga Sociedade de Medicina e publicou nove livros em sua área de atuação.

A unidade de pronto atendimento estadual, batizada de Pronto Socorro Clóvis Sarinho, é a prova do reconhecimento a este que foi um dos grandes nomes da medicina social no Rio Grande do Norte.

Dr. Olímpio Maciel
 
 Natal/RN - Brasil,