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Pedro Simoes, um tipico intelectual “insatisfeito”

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Se é verdade que todo intelectual (ou pelo menos aqueles que merecem portar esse nome) é um eterno insatisfeito, então o escritor Pedro Simões está entre os mais representativos intelectuais de sua geração. Advogado, livreiro, ensaísta, editor, ficcionista, poeta, cronista... São tantos interesses que não admira que ele seja Simões, e não um simples, singular e único Simão, acompanhados de igual número de insatisfações. Nesse caso, porém, quando se consegue, como ele, transformar as insatisfações em ensinamentos e reflexões, vale a pena tê-las às mancheias.

Como ensaísta, Pedro Simões já tem em seu portfólio de ideias livros que tangenciam alguns dos temas mais permanentes da vida brasileira, se traduzindo em títulos como “O Tráfico das Ideias”, “Salário Mínimo e Bem-Estar Social”, “Manual da Microempresa”, entre outros, e que revelam um leque de preocupações sintonizadas com o futuro que preparamos a partir destes tempos complexos e desafiadores que vivemos hoje. Os bons ensaístas – e dispensa dizer que aí incluímos o ceará-mirinense Pedro Simões – são capazes de tomar a distância necessária para ver o quadro simultaneamente panorâmico e pormenorizado dos acontecimentos e a capacidade de resumi-los no espaço de algumas poucas laudas.

Sua contribuição para o campo jurídico não tem sido menos significativa. Bastaria citar seu livro “A intervenção do Estado na Ordem Econômica Privada” (em parceria com Joventina Simões) e que se encontra na oitava edição, enquanto seu “Iniciação aos Contratos “(também em parceria com Joventina Simões) se acha na sexta edição.

 

Mas é no campo da literatura onde a contribuição de Pedro Simões se revela mais imprescindível, ao descer ao subsolo da cultura nordestina para dali extrair pedras dos mais diversos matizes, mas todas de grande valor. Seus contos reunidos em “O Homem que Assassinava Árvores”, ou seu “Fabulário da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Rio dos Homens”, ou ainda seu “A Intriga do Bem”, conjunto de perfis contemporâneos estão entre suas contribuições mais expressivas.

A propósito, é possível dizer que entre todos esses “Simões” reunidos nesse Pedro da nossa cultura, existe um elo comum: a preocupação com a cultura e com sua preservação, ou seja, o livro. Lembremos que ele teve uma experiência valiosa como editor à frente da sua “Nossa Editora”, tendo, nos anos oitenta, retirado muitos autores do anonimato forçado, dadas as dificuldades de então de se publicar o livro.

Seu feito mais recente, porém, já granjeou um lugar de destaque no cenário das letras potiguares destes dias. Referimos-nos à criação da Academia Ceará-Mirinense de Letras, obra que traz a rubrica e o monograma de Pedro Simões, e que se tornou num dos dínamos da nossa vida cultural. A fonte de inspiração é o mesmo vale que Edgar Barbosa, um seu filho ilustre, descreveu, num dia amargo, como um “burgo melancólico”, mas que hoje faz projetos futuristas, sonhando com um tempo em que a palavra cultura seja reconhecida pelo seu destinatário preferencial, que é o homem do povo.

É essa luta que Pedro Simões vem travando desde outros tempos, luta que permanece acesa graças a pessoas que, como ele, acreditam em tempos melhores. Tempos de cultura.

 
 Natal/RN - Brasil,