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Presenca Inesquecivel - Cel. Joao Medeiros

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Faço uma pausa na discussão dos problemas políticos, econômicos e sociais que aflingem o povo, para evocar uma figura que, por todas as qualidades, foi a mais representativa da velha e tradicional imagem do homem do interior.

Desafeiçoado de qualquer ambição de poder, soube conviver com a sua realidade, enfrentando-o em horas de prepotência e ira, muito mais do que usando-o na influência a que fazia jús como líder de sua comunidade. Criador de riqueza, teve flexibilidade para diversificar as atividades quando sentiu que o algodão... perdia condições de competitividade e progresso pela queda de sua produtividade, pelo empirismo de sua produção, pela irregularidade climática da área em que vivemos, pela presença de outros produtos mais baratos antes da explosão política dos preços do petróleo.

Amigo, ninguém podia ser maior na fidelidade de todos os momentos, desde os mais fáceis, em que se celebram as vitórias e se distribui as benesses, até nos mais difíceis em que a presença solidária gera incompreenssões, desperta paixões mesquinhas, impregna de ódio a relação entre as criaturas.

Eu desejava, em 1966, ser candidato ao Senado. Tinha, o apoio das principais lideranças do Estado e massas popularizadas em torno da minha liderança. Junto ao poder revolucionário... tinham influência decisiva e chegaram até ao presidente Castelo Branco para obter a sua intervenção no sentido do veto à minha candidatura. O Presidente, embora reconhecendo a minha inequívoca posição eleitoral majoritária, via-se enleiado pela necessidade de apoios parlamentares que me faltavam. Tive que ceder, pelo direito de indicar outro correligionário e pelo interesse de preservar de lutas destruidoras o governo do Mons. Walfredo Gurgel.
Pensei em afastar-me da vida política, renunciando a quaisquer disputas. Recebi, então, verdadeiros clamores dos amigos que ameaçavam até a renúncia coletiva de seus mandatos e de suas candidaturas ao pleito de 1966.

Ele não fez ameaça. Preferiu outra forma de pressão afetiva que expressou no telegrama que vai no livro "A verdade que não é secreta". Curto, simples, comovedor: "Aluízio Alves - Rua Assumpção, 140 - apar. 209 - Botafogo - Peço até de joelhos". João Medeiros".

A partir desse momento, não havia lugar para renúncia, omissão, desalento. Era uma força que vinha do fundo do coração do amigo, da forma mais humilde e, ao mesmo tempo, mais poderosa. Voltei e fui o candidato mais votado a deputado federal.

João Medeiros era assim. Hoje, vivo, completaria 94 anos. Vico, estaria ao meu lado, e se eu tivesse alguma vacilação, ele pediria "até de joelhos" na sinceridade da afeição que não tergiversava por quaisquer temores ou interesses.

Por isso, na hora de nova peleja, lembro-me dele. E ganho novo ânimo de lutar, como se ele estivesse ao meu lado, solidário e fiel.

Aluízio Alves
 
 Natal/RN - Brasil,