Instituto José Maciel

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Perfil de um amigo

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Ivan Maciel de Andrade
Advogado

 

O nome dele? José Jorge Maciel. Mas era chamado pelos amigos mais íntimos de Zé Maciel. Para estranhos, dr. José Maciel, médico radiologista, fundador do Instituto de Radiologia de Natal. Era um homem de boa estatura, muito bem parecido, irônico, com um grande círculo de amizades, tranquilo, mas dotado de uma coragem pessoal que o fazia enfrentar quaisquer desafios sem se intimidar. Foi, ainda moço, um dos fundadores do partido comunista no Estado. E nunca abjurou de suas convicções. Conversamos muitas vezes sobre política: suas opiniões eram sempre de crítica e condenação das desigualdades sociais, que se refletiam dolorosamente, dizia com conhecimento próprio, na área da saúde pública. Achava, no entanto, que nada poderia ser feito em nosso país de válido, nenhuma mudança se sustentaria, fracassariam quaisquer tentativas de implantação de políticas e programas de desenvolvimento econômico sem que fosse estancada a hemorragia que faz com que o dinheiro público escorra pelo ralo da corrupção. Entrou na política, foi eleito, certa vez, prefeito de Macaíba, a cidade onde nascera, contudo abandonou a vida pública, segundo afirmava, por absoluta incompatibilidade de princípios. Mas sem perder jamais o interesse pelos temas políticos.

Era meu tio, irmão de minha mãe, mas sobretudo um grande amigo que tive desde a minha adolescência. Nos fins de semana, bebemos muitas vezes, lá em casa ou na casa dele, um bom uísque puro – da forma que ele gostava – e, nessas ocasiões, eu ria muito com os seus comentários mordazes e espirituosos. Na verdade, sua irreverência pontuava os assuntos mais sérios. Sem prejuízo da capacidade de análise e avaliação da vida política nacional e de seus protagonistas, cuja característica principal, segundo ele, não era nem tanto a corrupção, mas a mediocridade que os tornava, em sua grande maioria, ridiculamente inadequados aos cargos e lideranças que exerciam.
Falando sobre oratória, ele dizia que a qualidade que mais admirava nos bons oradores não era propriamente a eloquência, mas o humor, a presença de espírito, a aptidão para a resposta pronta e imediata. A respeito da esquerda brasileira, reafirmou em várias ocasiões que, apesar de sua retirada da militância política, tinha grande admiração por Vulpiano Cavalcanti (de quem era amigo e a quem considerava um dos melhores médicos de Natal) e por Luís Maranhão Filho: ambos se dispunham a assumir atitudes extremas em defesa de seus ideais, com sacrifício, se necessário, da própria vida.

José Maciel teve várias e boas fazendas e era um notável conhecedor de gado bovino, sobretudo de gado leiteiro. Por influência dele, comprei uma fazendola e criei – sob sua orientação –   cavalos de raça e vacas selecionadas. O mais importante: eu percebia que ele, quando estava na sua fazenda ou em qualquer outra, de parente ou amigo, descontraía, se despreocupava, assumia uma postura alegre de quem desfruta de seu melhor passatempo. Nessas horas, dizia: “Moro na cidade, mas sou um homem do campo”. Apesar disso, nunca abandonou, ao longo de sua vida, o exercício profissional da Medicina, a que se dedicava com amor, grande competência e senso de humanidade.

 

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