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Sylvio Pedroza (1918-1998): Cem anos de um visionario

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Galã, atleta, político de visão moderna. Sylvio Pedroza (1918-1998) cravou seu nome na história da capital potiguar com obras impensáveis para época em que foi gestor, seja no período à frente da Prefeitura de Natal (1946-1951) ou do Governo do RN (1951-1956). Às vésperas do centenário de nascimento de Sylvio, celebrado dia 12 de março, o VIVER reconta um pouco da história desse administrador público arrojado nas ações e inusitado nos modos de agir.

Em fins da década de 1940, numa visita ao Forte dos Reis Magos na companhia do etnólogo. Anos depois, concedeu a Cascudo o título de Historiador da Cidade do Natal.

Com o fim da 2ª Guerra Mundial, depois de tantas novidades que Natal  vivenciou com a presença das tropas americanas, a capital potiguar ansiava por um gestor municipal que enxergasse longe. Surge então Sylvio Pedroza, 28 anos, porte de galã, estilo refinado de se vestir e se portar, educado entre o Rio de Janeiro e Londres, atleta de tênis e velejador. No entanto, este natalense filho de uma das mais ricas famílias do RN, a Gomes Pedroza, depois de tanto tempo fora da cidade, retorna praticamente como forasteiro. Mesmo assim assume a prefeitura em 1946, a partir da indicação de João Câmara, um dos mais importantes nomes da política local. Era sua estreia na política, contrariando o desejo da família de grande tradição comercial. A desconfiança dos coronéis com relação ao jovem prefeito era grande, mas em pouco tempo Sylvio conquista a simpatia local com sua visão moderna de gestão e obras impensáveis para os natalenses.

 

É de sua gestão a construção da Avenida Circular – hoje Avenida Café Filho –, na Praia do Meio, marco da urbanização da orla marítima, interligando pela primeira vez – e para sempre – a capital potiguar e o mar. A urbanização de Natal foi de fato o principal foco de energia de Sylvio Pedroza. Ele assumiu a cidade com três bairros e entregou com 11, interligando-os com diversas obras de pavimentação. A população assistia a um crescimento poucas vezes visto antes.

A construção da imagem de Sylvio Pedroza como administrador arrojado se deve em grande parte à relação com o maior intelectual do RN: Luís da Câmara Cascudo. Foi o historiador que ajudou na legitimação do jovem prefeito, em aparições públicas e textos na imprensa. Os dois se tornaram tão amigos que quando as picuinhas políticas davam o tom das reuniões no Palácio Felipe Camarão, Sylvio partia rumo a casa de Cascudo para bater outros tipos de papo, de preferência sobre o passado de Natal. Muitas vezes a conversa entre os dois se estendia por caminhadas pela cidade, especialmente em direção a Pedra do Rosário, na margem do Potengi, onde Sylvio julgava ser o melhor lugar para observar o pôr-do-sol na capital.

Na Praia do Meio, apresentando o projeto da Avenida Circular

Sylvio era mesmo um gestor totalmente inusitado para a Natal da segunda metade da década de 40. Ele também costumava se afastar das discussões provincianas para jogar tênis, velejar, bater pelada de futebol na praia e derrubar boi em vaquejadas no interior.

Registros sobre o perfil de Sylvio e sua administração podem ser encontrados no acervo doado a Fundação José Augusto (FJA). Catalogado pela Grupo Estudos da Modernidade, do Departamento de História da UFRN, o acervo reúne mais de cinco mil documentos, entre fotografias, correspondências, dados administrativos, medalhas esportivas, recortes de jornais, dentre outros.

“Do CEDOC o arquivo de Sylvio só não é maior que o de Newton Navarro. O acervo chegou tão organizado que revela a preocupação do gestor com a preservação de sua memória”, diz Antônio Macena, aluno de História que atuou na parte final de catalogação do material. “Ele tinha grande cuidado com sua memória de esportista e a memória iconográfica de Natal. Há várias imagens da cidade durante a realização de suas obras. O Sylvio estudou em Londres, berço da modernidade, isso influenciou muito ele. Quando chega em Natal, ele imprime seu pensamento, dando uma nova paisagem urbana à capital, ligando-a ao mar e às dunas, quando na época ela estava mais relacionada ao centro”. Além de doar o acervo de Sylvio, a família também doou estantes volantes para a FJA.

Em Pirangi, com o amigo Câmara Cascudo. Família Pedroza era proprietária do terreno onde está o maior cajueiro do mundo

Amizade com Cascudo

Neta de Câmara Cascudo, Daliana ressalta a grande amizade de seu avô com Sylvio. “Foi uma relação importante para ambos. Cascudo ajudou Sylvio a ser aceito em alguns círculos sociais da cidade, e Sylvio fez de Cascudo o historiador de Natal”, diz Daliana. Foi Sylvio que encomendou e bancou, enquanto prefeito, a publicação da obra “História da Cidade do Nata”, lançada em 1947.

Outro exemplo da preocupação de Sylvio com a história da cidade está na criação de um bairro nos arredores do Forte dos Reis Magos. Ele denominou o bairro de Santos Reis, devido a festa centenária que até hoje ocorre naquela área. Além disso, batizou as ruas do bairro com nomes de personalidades envolvidas com a fundação da cidade, como Jerônimo Albuquerque e Mascarenhas Homem.

Apoio ao esporte potiguar

Era notório para os natalenses a forte ligação de Sylvio Pedroza com o esporte. Enquanto governador, ele chegou a fazer a travessia Natal-Fortaleza num barco à vela, chamado de Boa Sorte. O feito foi noticiado pela imprensa local.

Foi enquanto governador também que Sylvio construiu o hoje batizado como Ginásio Sylvio Pedroza, no Atheneu. A obra foi um marco no desenvolvimento do esporte na capital potiguar e foi apontado à época como o primeiro ginásio coberto do Norte-Nordeste.

Sylvio Pedroza foi velejador e atleta de tênis: Aqui, na travessia Natal a Fortaleza

Juscelino e Jango

Depois da experiência como gestor do executivo municipal e estadul, Sylvio seguiu carreira em órgãos públicos federais, se distanciando de Natal. Seus acervo reúne diversos documentos do período que foi subchefe da casa civil nos governos Juscelino Kubitscheck e João Goulart.

Auxiliar de Sylvio nessa época, Manoel de Medeiros Brito conta que embora morando fora, em cidades como Rio de Janeiro e Brasília, o potiguar continuou mantendo contato com sua cidade de origem. “Ele era muito bem quisto em Natal. Apareceu bem novo, fez obras importantes que conquistaram a simpatia dos moradores. Manteve os laços”, diz.

Em meados dos anos 90, pouco antes de sua morte, Sylvio veio a Natal lançar seu livro de memórias “Pensamento e Ação: marcos de uma trajetória de governo”, sobre o período em que esteve à frente da Prefeitura de Natal e do Governo do Estado. Nesse período também foi eleito para a Academia Norte-Riograndense de Letras (ANRL), assumindo a cadeira nº 1, cujo patrono é Frei Miguelinho. Com relação a ANRL, foi Sylvio, na época de governador, que doou o terreno onde foi erguida a sede da instituição literária, na rua Mipibu, em Petrópolis.

POR: Ramon Ribeiro - Repórter
 
 Natal/RN - Brasil,