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Luiz Romano

Michel Laban entrevista Luiz Romano

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Cabo Verde encontro com escritores

PERGUNTA: Poderia falar da sua infância?

Luís Romano: Quanto a falar da minha infância, direi que meus pais afirmavam eu ter sido um menino bem dotado de inteligência, e que aprendeu a ler a escrever ainda em muita tenra idade. Que aos três anos já declamava poesias, ensaiadas por minha Mãe, e para quem improvisei, naquela época, poemas de circunstância, que ela copiava e depois lia para deleite da nossa família. Talvez tenha sido minha Mãe quem me despertou e influenciou do ponto de vista cultural, ensinando-me a declamar , e ler pausadamente e a decorar páginas inteiras de escritores românticos portugueses e franceses. A nossa grande família era tradicionalmente conhecida pelo seu pendor cultural, de que resultou uma gama famosa de juristas, Médicos, Engenheiros, etc., de modo que em nossas casas havia sempre estantes cheias de livros diversificados e de cultura geral.

PERGUNTA: Poderia precisar alguns títulos?

Luís Romano: Além das obras especializadas de Medicina, Jurisdição, Pedagogia, Política, Engenharia, etc., havia livro sobre História, Viagens, Romantismo Português até Eça de Queiroz.

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Caboverdianamente Luis Romano

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Luís Romano Será homenageado a 23 de novembro próximo, na cidade de Natal, Brasil, onde reside desde 1962. Na mesma ocasião, o poeta, ensaísta contista e romancista natural de Santo Antão lançará o livro “Antônio Januário Leite, o poeta do além-vale”. Esta que é a mais recente edição da obra de Januário Leite vem juntar-se à própria obra de Romano, homem das letras cabo-verdianas, autor de mais de uma dezena de livros que promoveram e projetaram amplamente a cultura cabo-verdiana.

Em 1922, a Vila de Ponta do Sol, na imponente ilha de Santo Antão, viu nascer aquele que é um dos seus mais diletos filhos – Luís Romano. Como tantos outros jovens cabo-verdianos, na década de 50, Romano é forçado a emigrar, junto com a esposa e companheira de toda a vida, Maria José Firmino de Melo, para fugir à perseguição da PIDE-DGS e às amarras da ditadura de Antonio Salazar. Depois de residir no Senegal muda-se para Marrocos, onde, graças ao estatuto de exilado político, obtém a nacionalidade francesa.

É em 1962 que fixa residência no Brasil e publica, no Rio de Janeiro, o romance “Famintos”, uma obra que entrou logo para a “lista negra” das autoridades coloniais portuguesas, pois denunciava os desmandos dos portugueses em Cabo Verde nos anos de seca intensa. Assim, Luís Romano transforma-se em “persona non grata” em Lisboa, onde, até à Revolução dos Cravos que ditou o fim do Estado Novo, em 1974, estava proibido de entrar.

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Caboverdiano Luiz Romano

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Com a idade de 88 anos faleceu em Natal-Brasil, o escritor caboverdiano Luís Romano, colaborador da revista LATITUDES, figura incontornável da história da emigração e da literatura caboverdianas. Nasceu a 6 de Outubro de 1922 numa família judaico-cristã na Ponta do Sol, ilha de Santo Antão em Cabo Verde, onde desde a infância recebeu no seio familiar a influência dos grandes escritores portugueses e franceses. Viveu o período das secas e das fomes, nos anos quarenta, entre as ilhas de Santo Antão e São Nicolau, donde extrai a essência do seu romance Famintos. Trabalhou ainda na ilha do Sal como técnico salineiro, profissão que viria a abraçar nas suas viagens no litoral africano e no Brasil.

1. DAS ORIGENS

A Vila de Ponta de Sol em Santo Antão, com o seu mar bravo na Boca de Pistola e seus marinheiros valentes, foi um centro económico e cultural importante na ilha nos fins do século XIX até meados do século XX. Com a sua pequena burguesia de origem judaico-cristã oriunda de Gibraltar (Espanha) e Tânger (Marrocos), conservou a sua tradição religiosa, testemunhando os dois cemitérios judaicos essa presença cultural e religiosa. O seu pai, Rafael Nobre de Melo, foi funcionário municipal na Ponta do Sol e, durante um certo período, foi emigrante nos Estados Unidos, mas sempre ligado à Imprensa caboverdiana, tendo sido representante do jornal A VOZ DE CABO VERDE em Massachusetts nos Estados Unidos. Luís Romano era também primo de Martinho Nobre de Melo, jurista, poeta e escritor, Embaixador de Portugal no Brasil, mas com pouca intervenção na vida política caboverdiana e que fora aluno do poeta José Lopes, na Ponta do Sol. Tanto Luís Romano como o irmão Teobaldo Virgínio, filhos da pequena burguesia letrada e possuidora de algumas terras agrícolas, são antes de tudo verdadeiros autodidactas, cujos pais, devido às crises agrícolas não possuíam meios para se fixarem São Vicente ou em Portugal onde os filhos pudessem prosseguir os seus estudos. Tem também uma irmã, escritora, a Rosa Nery Sttau Monteiro, que vive em Portugal.

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Luis Romano: patrimonio intelectual caboverdianobrasileiro

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Brasil e Cabo Verde têm idênticas expressões de convívio na sua formação humana, trazida da Europa e da África. Há um elo sentimental que nos caracteriza, a ponto de não ferir o contacto dessas famílias irmãs, embora separadas pela distância marítima.

Luís Romano
Uma mente que brilha jamais será ofuscada pelo Tempo. Cronos, que a seus filhos devora tão logo nascem, privou-nos do convívio de mais um escritor e intelectual de inestimável valor para os Estudos Caboverdianos. Mas a memória, assim como a arte, consegue deter o fluxo do Tempo para marcar-lhe os instantes de fulgor e, sem sombra de dúvida, a obra de Luís Romano oferece a nós, leitores, muitos destes momentos de epifania. Até os últimos momentos de sua passagem por este rio de Heráclito que inexoravelmente nos conduzirá a outro (ou mesmo?) rio, o de Caronte, Luís Romano preocupou-se, daqui do Brasil onde residia, em acompanhar o desenvolvimento da terra-mãe, de sua gente, de sua cultura.

E afirmo isto também porque, em junho de 2009, recebi com surpresa uma carta sua agradecendo-me pela homenagem que lhe foi prestada no I Seminário Internacional de Estudos Caboverdianos: contravento, pedra-a-pedra, realizado na Universidade de São Paulo, Brasil, em novembro de 2008, sob minha coordenação-geral. O evento reuniu mais de duas dezenas de personalidades caboverdianas e, certamente, a ausência do escritor em plêiade de tal magnitude, reunida para discutir os rumos da literatura, do cinema, da pintura, da música de sua terra., foi resultado de seu precário estado de saúde.

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 Natal/RN - Brasil,