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Literatura

TRÊS MOMENTOS DE REFLEXÃO

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"VIDA"


"Há pessoas que nos falam e nem as escutamos;
há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam.
Mas há pessoas que, simplesmente, aparecem em nossa vida
e que marcam para sempre..."
(Cecília Meireles) 
Última atualização ( Seg, 08 de Agosto de 2011 17:20 )
 

Luiz Francisco Junqueira Aires de Almeida

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Longa e trabalhosa tem sido minha vida pública. Conto oitenta anos de idade e, aos vinte, já era jornalista provinciano e político militante, tomando parte ativa em esperas pelejas partidárias, nas quais, por circunstâncias favoráveis, meu nome ganhou relativa notoriedade do Estado, que, desde muito moço, tive a fortuna de representar durante um decênio na Câmara dos Deputados, em quadra acidentada da consolidação do regime republicano. D’ahi Sahi para fazer minha aprendizagem administrativa no cargo de governador, que renunciei antes de terminar o mandato por imperativos de ordem política.

A seguir, fui ministro da Justiça com Affonso Penna,  n’uma hora de sombrias inquietações nacionais; senador, com responsabilidades as vezes pesadas, nas presidências de Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca; e por fim, ministro da Viação e interinamente da Fazenda na de Wenceslau Braz, em dias tormentosos da primeira conflagração mundial. Nesse posto, atingi ao apogeo de minha carreira política. Depois vieram a adversidade e as decepções. Mudei de campo de ação. Fiz-me juiz do Tribunal de Contas. Não me seduziam mais os triunfos efêmeros da vida pública. Cumpria lealmente meus deveres de solidariedade com os amigos generosos que me acompanharam no ostracismo; mas, para mim, não queria posições de evidência. Recusei mesmo algumas, como a de ministro do Estado, pela terceira vez. O que ambicionava, sem prejuízo do consciencioso cumprimento de minhas obrigações funcionais, era apenas viver na solidão de meu gabinete de trabalhos e estudos, onde, não raro, me aprazia e me apraz evocar a memória dos companheiros ou antagonistas de outrora. E escrevo páginas de saudades, recordando tempos idos.

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A escritora Sophia Lyra e as Rosas de Neve

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A partir de 1928, com vinte e cinco anos,
Sophia Lyra dedica-se à preparação de trabalhos
literários e históricos. Em seu livro Rosas de Neve
a escritora traça perfis de mulheres que, de uma
certa forma, tiveram influência na sua vida.

A escritora Sophia Lyra e as rosas de neve

A pesquisa e a literatura sempre me fascinaram. A partir delas e com elas construo imagens, freqüento ambientes insultados, perdidos no tempo. E assim, construo a lenda. Este fascínio concretiza-se, diariamente, na sala 12, situada no Departamento de Educação da UFRN. Juntas, as Bolsistas de iniciação cientifica e eu, buscamos esse mesmo caminho através da Base de Pesquisas Gênero e Práticas Culturais, que coordeno, vinculada ao projeto Gênero, Educação e Práticas de Literatura, aprovado pelo CNPQ.    

Neste ano de 2008 fazemos aniversário. Dez anos de ininterrupto labor. Festejamos esta data através da organização de um livro, com a colaboração de todos os colegas participantes e suas pesquisas.

Temos como objetivo mostrar o papel de escritoras e escritores que contribuíram para a construção da sociedade letrada brasileira e, em especial, a norte-rio-grandense. Isabel Gondim, Chicuta Nolasco Fernandes, Zila Mamede, Palmyra Wanderley, Miriam Coeli, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Júlia Medeiros, Anayde Beiriz e tantos outros são objetos de nossas pesquisas.

 Entretanto, para esse momento, elejo a figura de Sophia de Lyra, escritora que deixa um vasto legado de memória sobra a vida intima das moças de ontem. Tive o prazer de conhecê-la. Altiva e simpática, na sua beleza invernal, do alto do seu longo viver. 

Era uma manhã de abril de 2003, um sábado, quando visitei a escritora Sophia de Lyra, em seu apartamento no Bairro Flamengo no Rio de Janeiro. Um encontro rápido, não mais que quinze minutos, sob o olhar carinhoso e atento de Madre Carmen, sua Irmã caçula. Emocionada, ela falou-me do seu pai Tavares de Lyra e do seu avô Pedro Velho. Na despedida, com os olhos marejados de lágrimas, pediu-me: “olhe Natal por mim e o local em que meu avô proclamou a República”. Na ocasião, presenteou-me com um exemplar do primeiro e do segundo volume do seu livro Grandes Mulheres, autografado com a sua letra trêmula. As publicações datam de 2001 e 2003.

A escritora – filha primogênita de Augusto Tavares de Lyra e de Sophia Eugênia de Albuquerque Maranhão Tavares de Lyra – nasceu no Rio de Janeiro a 11 de novembro de 1903, no então Grande Hotel do Largo da Lapa. Seu pai era deputado federal quando ela nasceu. Portanto, tornou-se centenária em 2003. 

Ganhou do pai o apelido de Picoté: o que foi o seu martírio quando jovem. “Enterneço-me quando ouço alguém chamar-me, ainda, Picoté. Conheceu-me criança, na certa”. No exemplar que adquiri, na garimpagem dos sebos, do seu livro O maior e o melhor dos Lyras (1974) tem a dedicatória da autora, datada de 1º de janeiro de 1978: “Para Clóvis Gentile, lembrança amiga e grata de Sophia A. Lyra (Picoté)”.

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Otacílio Alecrim e o seu biógrafo

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Otacílio Alecrim e o seu biógrafo

                         Os artigos que Américo de Oliveira Costa vem publicando na “Tribuna do Norte”, em Natal, sobre Otacílio Alecrim, podem ser tomados como os primeiros capítulos de uma biografia critica, que vem em caminho.
                         Américo é um lúcido critico literário, um humanista, um escritor da mais alta categoria. Bem pode ser o biógrafo que Alecrim mereceu. Uma biografia que se estenda em história e critica de idéias. Num painel cultural da época em que viveu o escritor norte-rio-grandense.
                         Meu maior contato com Alecrim foi na Faculdade de Direito do Recife. Em Natal nem sempre estava com ele. Mas o acompanhava de perto. Fomos oradores da “Temporada Literária de 1930”, organizada e realizada com extraordinário êxito pelo cronista Adherbal de França, o admirável Danilo das pequenas Notas d” “A República”. A conferência de Otacílio Alecrim era como que o seu próprio retrato. Falou sobre “Satã de monóculo”. Um satã que lembrava o João da Ega em diabruras encianas que abalavem o senso burguês da Província .
                         Ele havia interrompido seu curso jurídico; retomou depois da revolução de 1930 para ser o maior líder estudantil (por que não dizer universitário?) do seu tempo.
                         Divergíamos nas idéias e posições filosóficas:
                         Ele , um tablático, um kantiano; eu. Um seguidor fiel de Jackson de Figueiredo e de Tristão de Athayde. Isso não impediu que estivéssemos juntos nos movimentos estudantis, notadamente os que, com o nome um tanto pomposto de “Festas de Inteligência e de cultura” eram promovidos pelo Direito Acadêmico. Com o seu apoio elegi-me presidente do Diretório Acadêmico. E com a alta compreensão universitária de Andrade Bezerra realizamos conferências, encontros, simpósios que marcaram pela inquietação pascaliana que dominava os intelectuais do apô-guerra.
                         Já tive oportunidade de lembrar – e sempre o faço quando trato dessa faze de transição – que Alecrim era o ponto de partido das coisas que pretendíamos realizar em conjunto. Éramos um grupo coeso, composto dele, Alvaro Lins, Evaldo Bezerra, Coutinho, Gil de Methodio Maranhão, Andrade Lima Filho, João Roma, Luis Leite da Costa, Amaro Qiuntas, Nehemias Gueiros, Gilberto Osório de Andrade, Cesário de Melo e Alguns outros. Alecrim empolgava pelo seu talento, pela sua versatilidade, pelo seu cartesianismo um tanto indisciplinado: era um chamariz de idéias, sistemas, sarcamos.
                         Luiz Delgado chamou-o “O espantoso Sr. Otacílio Alecrim”, numa alusão ao que ele escrevia na Revista “Agitação”, que foi um dos marcos desse tempo romântico e revolucionário.
                         O grupo católico, que tornava nas fileiras das A.U.C. (Ação Universitária Católica), de que era presidente, no Rio, o escritor Alceu Amoroso Lima, não se entendia muito bem com Alecrim.
                         A risada dele fazia gelar o sanguenas veias, como nos romances policiais. Ou, simplesmente podia ser a gargalhada eciana, que, passada sete vezes em torno das instituições, as faz aluir. Otacílio tinha consciência do seu poder. Quase diria da sua malignidade intelectual. Chamava os engraxates pelo nome dos seus inimigos. E de alguns, os mais caturras, costumava dizer que só tinham na cabeça piolhos e pronomes.
                         Tinha na congregação da Faculdade admiradores fervorosos como Andrade Bezerra e Anibal Freire. Com eles matinha longos entretenimento literários. Eram bons momentos de ironia e piedade.
                         Certas frases de Alecrim ficaram como clarinadas do seu espírito nas salas e corredores da Faculdade. Por exemplo: - “Nesta casa onde tantas vezes Tobias conversou com o Fausto de Coethe”.
                         Perguntávamos por desafio literário:
                         - Alecrim: onde foi esse encontro de Tobias com Fausto?
                         - não sei, respondia; mas em algum lugar onde se possa sentir cheiro de enxofre.
                         Essas “batucadas” eram constantes nele. Seu talento esvaia-se em ironia e paradoxos mortais. Seu opúsculo sobre a Revolução de 1930 mostra em que dimensões o seu ressentimento podia criar uma estética espantosa, meio diabólica na qual se situava a rir da humanidade como um demiurgo feliz.
                         J. M. Tamatião foi o pseudônimo que em se escondeu para ververar o movimento revolucionário que pôs termo ao Governo de Juvenal Lamartine, no Rio Grande do Norte, sucessor de José Augusto Bezerra de Medeiros, de quem Alecrim foi oficial de Gabinete.
                         Não foi só: - ele levou esse pseudônimo à congregação das ondas hertizanas, contando no Rádio Clube de Pernambuco... somente três amigos sabiam que ele: - José Alfredo Mariz de Menezes o nosso Menezes tão afeiçoado, Pedro Barbosa e eu. Nesses momentos, o próprio Fausto de Goethe – um Fausto sem Margarida – estaria ao seu lado na maneira de zombar da humanidade, que acreditava na aparências...
                         Em 1933 Otacílio Alecrim deixava a Faculdade e, logo no ano seguinte, o Recife. Procurava um horizonte maior. O encontrei no “Café Continental”, escrevendo uma carta. Perguntei de que se tratava. E ele, rindo, mas quase chorando:
                         - estou escrevendo uma Encíclica sobre o amor.
                         Desmanchava , então, um namoro que mantinha com uma moça não sei em que parte do mundo. Talvez em Macaíba...
                         Por falar em Macaíba: - foi a “Província Submersa”, de Alecrim. Era um nostálgico de sua gente, e sua paisagem. Um barresiano, como salientou Américo de Oliveira Costa. Um Proustiano que ele foi todo inteiro, com a sua Combray para as horas intimas aquelas em que o orador se escondia no menino, na infância perdida.
                         Disse-me uma vez:
                         - Leia meu artigo, amanhã, no “Diário de Pernambuco”’.
                         Era sobre Henrique Castriciano, que ele tanto admirava. Outro de Macaíba, um renaniano incurável. O titulo do artigo: - “O místico de Lausanne”.
                         Alecrim encontrava nele traços da irmã, a “pobre moça tuberculosa”, que deixou o HORTO, “livro de uma santa.

Escrito pelo Dr. Ivan Maciel de Andrade

Última atualização ( Qua, 25 de Agosto de 2010 16:11 )
 

Em memória de Otacílio Alecrim - II

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Em memória de Otacílio Alecrim – II

                         Retomo o roteiro de crônica anterior, em torno da memória de Otacílio Alecrim, para uma tentativa de complementação e de fixação de certos detalhes de sua vida e de sua obra de escritor e de jurista. Esses detalhes, ao que acredito, poderão contribuir de algum modo, para lhe definir a presença e o lugar que lhe cabe nos domínios da inteligência norte-rio-grandense. São informes colhidos junto a pessoas de sua família, especialmente seu sobrinho Meneval Dantas, ou em seus próprios livros, alguns esgotados, informes bibliográficos, sobretudo. Otacílio teve a maior parte da sua existência, (coincidente com a realização da mais expressiva parte de suas atividades intelectuais), decorrida no Rio de Janeiro onde escreveu e publicou seus livros representativos, tanto de estudos literários e filosóficos como de direito público, bem como artigos em revistas e jornais. Esteve em Natal, em 1949, quando proferiu conferencias e reviu a terra e amigos. Foi a ultima vez. Talvez se haja tornado, assim, um déracine, no exato sentido barrésiano da expressão – Acentuado no que contém de nostálgico e de “temática do souvenir” (aportuguezando assim o vocábulo francês) o seu “Província Submersa”, todo voltado na direção dos espaços e dos tempos perdidos dessa amorável cidade Natal de Macaíba, para ele se tranfiguravido lentamente numa espécie de ville engloutle renaniana. A terra, as águas, as paisagens, as coisas, os costumes, os ambientes, homens de condição social diversa, fatos e aspectos do nosso Estado, principalmente nesta faixa leste, ilustram e compõem a alma e o corpo daquele livro. Títulos de capítulos, como “Almanaque de lembranças”, “Verbetes do fabulário”, “Evocação de estrelas cadentes”, “Nostalgia do infinito”, “Signo de escorpião” e “Sobrevivência de Anteu”, sobretudo este último, denunciam o homem apegado consubstancialmetne ao seu chão originário, exaltando-lhe, inclusive, valores e figuras no plano da cultura, como José Augusto, Elói de Souza, Manoel Dantas, Palmyra Wanderley, Nunes Pereira, (em que perdida tribo dos confins amazônicos andará, talvez, esse fabuloso tipo endio civil, pesquisando, observando, anotando, entre feiticeiros, morubixadas e conhantãs, imune a passagem do tempo, nonagenário? Centenário? Graças a misteriosos filtros e poções tabus, e de vez em quando publicando preciosos livros da vida selvagem?, Jorge Fernandes, Luis da Câmara Cascudo, Antonio Bento, paralelamente aos de Gilberto Freyre e Ronald de Carvalho. Proustiano confesso e irredutível, anima os cotes de sua obra de visões feéricas e picturais. Seu livro “Ensaios de literatura e filosofia”, em que estuda, por exemplo, “A Estética da Escola do Recife”, “Dom Casmurro e Malazarte”, “Fausto e Malazarte”, “Recriações da memória Proustiana”, Diálogos do mundo interior” (pensamento e Consciência, Coração e Razão, Experiência e liberdade,Subjetividades e Conhecimentos, Sensação e Idéia, Ação e Existência) abre-se com uma comovida e grata homenagem ao nosso Henrique Castriciano.
                         Otacílio Alecrim nasceu em Macaíba, como já foi dito, a 17 de novembro de 1907, na rua da Conceição, no prédio que hoje tem o número 82; e morreu no Rio, de enfarte do miocárdio, a 2 de setembro de 1968. Aos 17 anos, aqui em Natal foi oficial de gabinete do Governador José Augusto. Após um brilhante e numeroso curso na Faculdade de Direito do Recife, e já radicado no Rio, foi igualmente oficial de Gabinete do Ministério da Justiça, Agamenon Magalhães, em 1935. Procurador do IPASE, a seguir, e, diversas vezes, chefe da respectiva Procuradoria. Redator de “A República”, de Natal, do “Diário de Pernambuco”, e “A Província”, do Recife, colaborador do “Correio da Manhã”, do Rio de Janeiro.
                         Trabalhos literários publicados: “Tamatião”, panfleto à margem da ideologia revolucionária, Natal, tipografia Minerva, 1931; “ensaios de Literatura e Filosofia”, Rio, 1955; e “Província Submersa”, 1957. Segundo indicação no dorso dos “Ensaios” acima mencionados. Estava, em preparo, o livro “Proust, romancista do Impressionismo”, com ilustrações de Luis Jardim, a sair em edição do “Proust-Club” do Brasil.
                         Também no volume “Proustiana Brasileira” (Rio, edição da “Revista Branca”, 1950) e na própria “Revista Branca”, Rio, número em homenagem a Proust, Dezembro-Janeiro, 1948 -1949, figuram dois estudos de Otacílio Alecrim: o primeiro “Paizes de Proust” e o segundo “Sistemática da bibliografia proustiana”. Antigos publicados no “Correio da Manhã” :”Proust”, de 22-08-48, “Museu da Literatura Proustiana”, de 12-09-48 e “Introdução à bibliografia proustiana”, de 26-09-48. E no “jornal de Poetas”, Rio, 12 de junho de 1950: “Motivos de Proust”.
                         Obras de natureza jurídica: “Fundamentos da Cultura Civil” (Discurso de orador da turma de bacharéis de 1933, da Faculdade de Direito do Recife, 1934.
                         - “Fundamentos do seguro do Estado” (tese para “The Fourteenth National Conference on Social Security”, 1941, New York).
                         - “Fundamentos do Standard Jurídico” (Tese de Docência à introdução à ciência do Direito na Faculdade Nacional de Direito da universidade do Brasil. Rio, 1941).

Escrito pelo Dr. Américo de Oliveira Costa
Publicado na Tribuna do Norte

Última atualização ( Qua, 25 de Agosto de 2010 16:08 )
 
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