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Ela recebeu a reportagem do VIVER em sua casa. Sentamos na sala. Apoiamos nossos braços sobre uma mesa comprada em 1979, quando o artista plástico, escritor, poeta e médico Leopoldo Nélson ainda era vivo seu marido. Acompanhada das memórias e de um copo de uísque, dona Margarida Bittencourt falou sobre a publicação do livro “Leopoldo Nélson – canto pelo terceiro mundo”. “Depois da morte dele, este livro está sendo minha maior alegria”, confessou dona Margarida.

A viúva de Leopoldo adiantou que não terá tranqüilidade suficiente para discursar durante o lançamento, que acontece hoje, ás 19h, no Solar Bela Vista. A obra é uma das cinco inéditas, de Leopoldo. Editado pela Edufrn, o livro tem 143 páginas, impressas em papel couché. Sobre o conteúdo talvez seja um dos mais complexos e belos, publicados nesta cidade.

Ele comunga as formas do expressar do autor: poesia, prosa e pintura. Os textos, muitos deles em versos, são “ilustrados” por seus quadros. Uma arquitetura não prevista por Leopoldo. A utilização deles foi sugerida pelas professoras Ângela Almeida e Helenita Monte.

A apresentação de Leopoldo é feita em primeira pessoa. Uma espécie de depoimento deixado pelo artista em 1989.

Ele diz: “Eu sou um poeta Barroco. Não me interessam nem Escolas nem modismos em poesia. A alma do mundo atual é Barroca – apesar do avanço da tecnologia e da ciência. A alma do brasileiro continua sendo Barroca. A técnica elevou o padrão de vida, mas não modificou o homem por dentro. A vida e o comportamento continuam os mesmos. Os arquétipos. A dualidade entre a vida e a morte. A busca pela melhor forma de matar, cada vez mais, um número maior de pessoas. Máquinas de guerra! A fome utilizada como arma suja. O jogo pelo poder. A divisão da geografia no tabuleiro de xadrez dos países ricos. O mundo dividido em pedaços – o terceiro mundo. E as pessoas tornadas números. Somos uma contradição, e por isso, continuamos barrocos e acreditamos ter o poder sobre o bem e o mal. A história decidirá o fim da nossa regressão. Ainda persiste a luta entre o carnaval e a quaresma”.

Era assim, que ele pensava. E Margarida completa: “Leopoldo era revoltado com a injustiça, com a pobreza”. Talvez por isso o vermelho seja a cor predominante em seus quadros. Aliás, os quadros por si só formam um capítulo a parte da vida de Leopoldo. Pintor por pura necessidade de expressão fazia as suas telas usando os dedos e às vezes matérias simples como palha de aço. Pincel, nunca. “Quando ele estava inspirado chegava a pintar dez quadros numa única noite”.

Em 53 anos de vida, Leopoldo teve muitas inspirações. Foram mais três mil quadros criados. Grande parte deles trazia a mulher (a sua) como figura principal. Outros trouxeram margaridas e girassóis; uma série foi dedicada aos santos (apesar de ser agnóstico); em homenagem a Margarida, vieram as paisagens rurais.

Algumas dessas obras estão na casa que um dia foi sua. Outras espalhadas em instituições públicas e privadas e residências de Natal. Grande parte na Suíça. Certamente todas, na memória de dona Margarida. Duas delas marcantes.

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