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Meio seculo de memoria

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Li, neste fim de semana, o livro “Meio Século de Memória”, de Eider Furtado. Capítulo à parte, quando narra resumidamente fatos vivenciados por mim e, solidariamente, também por ele. Nunca li um livro, que dispensa o nome do autor, tão igual pela inteireza e coerência entre o que escreve e o que viveu, intensamente, 50 anos.

Lembro-me, pelo fôlego emocionado, quando, numa tarde, Eider chegou ao meu gabinete, apertando minhas mãos, disse que acabara de ouvir de um advogado ligado profissionalmente ao sistema político militar, instalado para me derrubar da Prefeitura depois da cassação dos mandatos dos meus irmãos Aluízio e Garibaldi, que eu declarara, no primeiro depoimento, na Comissão, ser o único responsável pelo que de errado fosse encontrado na Prefeitura. No tocante aos acertos, eu dividia com meus auxiliares.

Fixei, como se estivesse ocorrendo hoje, a emoção de Eider ali, no meu gabinete, um homem afetuoso, mas profissionalmente preso ao que hoje é popularmente chamado de “autos”, letra por letra, palavra por palavra, frase por frase. Quando Eider retirou-se do meu gabinete, reiterei para os demais que ninguém precisava me acompanhar. Isso é um processo político. Se não me engano, foi Jussier Santos que perguntou se não cabia um recurso à Justiça. Não. Não cabia. Nenhum ato decorrente do AI-5 era susceptível de apreciação pelo Judiciário. Só pela Justiça Militar e, mesmo assim, depois das punições adotadas. Ganhei na Corregedoria Militar, no Recife, e no Superior Tribunal Militar, em Brasília, por unanimidade. Visitando-me na cadeia, Dom Nivaldo Monte, um santo homem, me disse: “Isso é uma chuva. Passa. Aguente firme”. Aguentei.

 


Hoje, com o país redemocratizado, o Poder Judiciário está reestabelecido nos seus poderes, está atento até para as confusões políticas com os políticos que querem devorar uns aos outros, sem prestar atenção no amanhã, quando voltam a elogiar ou a aderir aos vencedores, “arrependidos”. E o resultado está aí, com os partidos desgastados, sem militância, sem ideias, salvo no papel que ignoram, rasgam, jogam no lixo e só não trocam de legenda porque a Justiça os impede, mas, até pouco tempo, trocavam.

A vida de Eider, sua trajetória, lance a lance, está no seu livro: “Meio Século de Memória”. Creio que foi Diógenes da Cunha Lima que provocou a publicação, rompendo a modéstia do autor. Diógenes é assim. Um descobridor de talentos e de histórias que fazem história. Um historiador escondido ou sem tempo, mas provocador dos que ele sabe que sabem.

Ok, Eider, você venceu.

Tribuna do Norte | Espaço Livre - Agnelo Alves
 

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