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Alfredo Mesquita Filho, saudade imorredoura

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Falar sobre ele transporta-me a Macaíba e como Proust vou em busca do tempo perdido, dos dias idos e vividos da minha infância e adolescência.

Era um homem singular e de forte personalidade.

Estudava medicina em Recife, quando, com o falecimento do seu pai Alfredo Adolfo de Mesquita foi chamado pelos irmãos para cuidar dos negócios, isso o fez retornar a Macaíba sua terra e sua trincheira de amor a ela e ao seu povo e de lá nunca mais saiu.

Macaíba era para ele o que “Tipasa” foi para Albert Camus, um símbolo e uma miragem, uma realidade e um sonho, uma criação e um poema.

Sua terra foi seu referencial. Suas vindas a Natal eram restritas ao cumprimento das obrigações que seus sucessivos mandatos de deputado exigiram e como político tinha que cumprir.

Pela largueza de seus gestos, pelos seus sentimentos e pela generosidade do seu coração, assim ele será sempre lembrado, por aqueles que o conheceram e privaram da sua companhia.

Seu amor pelas pessoas humildes, dando alívio em tempo de sofrimento, foi rotina dia após dia em sua vida, na cidade que tanto amava e na fazenda “Uberaba” no distrito de Traíras em Macaíba. Sempre com altruísmo e desprendimento socorria aqueles que o procuravam.

Era feliz se pudesse enxugar as lágrimas de alguém e amenizar os sofrimentos do seu semelhante.

Não era de se curvar nem de aceitar ameaças, mas sabendo conduzi-lo com amor, sempre se chegava a mares calmos e um porto seguro.

 

Não quero como filha, descreve-lo como ser perfeito, tinha defeitos como todos nós mortais e humanos, mas por vezes nas minhas divagações fico a relembrar seus gestos e ações que aos meus olhos espantados de menina e adolescente pareciam parábolas indecifráveis.

Nasceu rico e como político morreu pobre. Numa época ainda onde a dignidade, a honestidade, o amor ao próximo e a honradez eram virtudes, coisas raras neste país mergulhado no mar de corrupção, impunidade e podridão moral.

Deixou-nos uma herança de altruísmo, perseverança e resistência que muito nos honra e orgulha.

As suas lições de amor ao próximo me fazem por vezes lembrar a grande figura humana do Dr. Albert Schweitzer que na sua simplicidade e humildade do seu hospital em Lambarénè, nas tardes quentes da África, com a paciência de um ser iluminado curava as feridas dos leprosos; meditando os livros de Goethe encontrava inspiração para cumprir sua missão aqui na terra e após o dever  comprido, suavemente sentava ao piano e tocava Bach.

Enquanto viveu deu-me proteção e segurança. O seu caráter reto e firme, o destemor perante as intempéries e dificuldades da vida são ensinamentos que guardo até hoje.

Quando, por vezes, como os grandes ventos o levavam a deriva daqui para ali sobre um oceano de inquietações eu o via as margens do desespero, ele segurava firme o leme e sem temores deixava a tempestade passar, sempre como dizia com a proteção de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da sua cidade e sua protetora.

Para essas travessias sempre contou com aquela que foi seu rumo e seu prumo como esposa solidária, Nair de Andrade Mesquita, minha mãe, dedicada, amorosa e amada que com ele partilhou dias alegres de sucessos e dias de tristezas, sempre acolhedora, amiga e companheira.

E hoje após o desaparecimento de ambos, sei que não estou só, nas batalhas intermitentes que travo pela sobrevivência quando, por vezes, me sinto fraquejar. Sei que onde ele estiver vela por mim. E quando sempre a ventania surge vejo a luz no fundo do túnel, sorrio sozinha e discreta, o melhor dos sorrisos, olho para o alto e digo: “Obrigada meu pai”.

Nídia Mesquita

 

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