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O adeus a Dom Eugenio

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Rio (AE) - Foi enterrado nesta quarta-feira o corpo do cardeal dom Eugenio de Araujo Sales, arcebispo emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro, que morreu na noite de segunda-feira, aos 91 anos. Cerca de 5 mil fiéis se reuniram na Catedral de São Sebastião, no centro do Rio, para prestar as últimas homenagens ao homem que dedicou quase 70 anos de sua vida ao sacerdócio.

Durante toda a madrugada, o corpo do cardeal foi velado em vigília na Capela do Santíssimo Sacramento, no interior da Catedral Metropolitana. Pela manhã e no início da tarde, fiéis enfrentaram fila para assinar o livro de registro e dar o último adeus a dom Eugenio. "O cristão, quando celebra a eucaristia das exéquias, celebra a esperança na vida que não termina com a morte", afirmou o arcebispo do Rio, dom Orani João Tempesta, minutos antes de presidir a última missa de corpo presente.

Cadetes da Marinha conduzem o caixão com o corpo de dom Eugenio de
Araújo Sales para a cripta da Catedral de São Sebastião. Túmulo fica em
frente ao do Monsenhor Ivo Calliari, construtor do templo

A cerimônia, que durou duas horas, foi prestigiada por representantes do islamismo, judaísmo, luteranismo e das igrejas Ortodoxa e Anglicana.

Autoridades civis também estiveram presentes à cerimônia, como o prefeito do Rio, Eduardo Paes, o governador do Estado, Sérgio Cabral Filho, e a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Cialini. O ministro Garibaldi Filho, potiguar de nascimento como dom Eugenio, representou a presidenta Dilma Rousseff nos funerais.

 

Após a cerimônia, o corpo de dom Eugenio foi levado à cripta no subsolo da catedral, onde religiosos e familiares se despediram do arcebispo emérito. "Ao sepultarmos o seu corpo na cripta da catedral, nós estamos colocando uma semente na terra", disse dom Orani. O túmulo de dom Eugenio ficará em frente ao do Monsenhor Ivo Antonio Calliari, construtor e primeiro pároco daquela catedral.

Todos os pertences do religioso - incluindo o barrete, o chapéu vermelho usado pelo cardeal, simbolizando-o como um príncipe da Igreja, que permaneceu exposto sobre o caixão durante toda a celebração - serão levados para o Museu de Arte Sacra do Rio de Janeiro.

Visto pelos fieis como uma manifestação divina, a pomba branca que ficou sobre o caixão por mais de uma hora, na terça-feira, permanecia na nave central da Capela do Santíssimo, durante todo o velório. As portas da igreja permaneceram abertas durante a madrugada para que o povo pudesse dar um último adeus ao arcebispo emérito do Rio de Janeiro.

No testamento, a eterna gratidão à família e à Igreja

Em outubro de 2003, pouco antes de completar 84 anos, Dom Eugenio escreveu seu Testamento Particular. Dedicado à Igreja, ao Papa e ao fieis, o religioso manifestou sua eterna gratidão à família, às arquidioceses por onde passou e aos benfeitores que o ajudaram. Leia trechos do Testamento:

"Dirijo-me em primeiro lugar a Deus, a quem me entrego inteira e absolutamente. Consagrei-me à Igreja e renovo essa doação integral. Nunca me arrependi de tê-la feito. Tudo que escrevi, disse e ensinei fica submetido ao Magistério Eclesiástico. Deverá ser corrigido, em caso de discrepância da minha parte. Reafirmo minha Fé Católica. Creio em tudo que a Igreja ensina e como ela o ensina. Proclamo a plena aceitação do Mistério da Trindade, da Encarnação, Redenção e demais, que são parte do conteúdo de nossa Doutrina. Quero morrer sempre fiel ao Papa, Sucessor de Pedro. Não levo mágoas. Peço perdão a quem ofendi. Procurarei reparar os sofrimentos com minhas orações. Aceito plenamente a vontade de Deus. (...) Manifesto profunda gratidão à minha família, às Arquidioceses de Natal, Salvador e Rio de Janeiro. Aos benfeitores que me ajudaram a procurar ser sempre um bom Padre e Bispo. No céu, onde espero ser acolhido por meu Pai, o Senhor Jesus e Maria, procurarei retribuir tudo o que recebi (...)"

A fé como legado de vida

O velório de Dom Eugenio Sales, ocorrido nesta quarta-feira na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, onde também foi sepultado, foi acompanhado por religiosos de diversas regiões do país e pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O ministro da Previdência Social, Garibaldi Filho, representou a presidenta Dilma Rousseff na cerimônia celebrada pelo arcebispo da capital fluminense Dom Orani João Tempesta. No sermão, Dom Orani destacou "o legado social, educador e religioso" de Dom Eugenio, visto como um dos principais personagens da história recente da Igreja Católica no Brasil.

A governadora Rosalba Ciarlini chegou à Catedral Metropolitana de São Sebastião na companhia do Bispo de Caicó, Dom Delson Pedreira da Cruz. "Dom Eugênio é um personagem marcante da história do Brasil. O RN está de luto em homenagem ao conterrâneo que se destacou como líder religioso e também no apoio às comunidades carentes e aos refugiados políticos", disse Rosalba. O corpo de Dom Eugenio de Araujo Sales foi sepultado às 15h, na cripta da Catedral. Também estavam presentes à cerimônia fúnebre o arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira e o antecessor D. Matias Patrício.

O mais novos dos oito irmãos Araújo Sales, o professor Otto Santana, 71, representou a família no funeral e se disse feliz ao ver o reconhecimento da contribuição que Dom Eugenio deu ao Rio de Janeiro com sua fé. "O que ele mais desejava era o bem da comunidade, das pessoas e do Brasil, pelo crescimento da fé. Essa manifestação do público, essa peregrinação para a despedida dele demonstra isso", enfatizou Otto. "Ele deixa como legado a fé encarnada que se transforma em qualidade de vida para as pessoas. Como Jesus, ele também cuidou dos humildes".

Nomeado Arcebispo do Rio de Janeiro em março de 1971 pelo Papa Paulo VI, função que exerceu por três décadas, Dom Eugenio era o mais velho de oito filhos, de dois casamentos, e Otto é o mais novo do segundo matrimônio da mãe, dona Josefa. O religioso potiguar era o mais antigo cardeal da Igreja Católica brasileira, proclamado por Paulo VI em 1969.

 

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