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Honras a Ernani Rosado

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A morte de um amigo sempre desperta uma amarga emoção de perda. À medida que a idade avança, o ser humano sente aumentar a lista de pessoas ligadas pelo afeto e pelo bem-querer que partiram para a eterna viagem. Mesmo com a repetição desses eventos tristes, ao longo do tempo, mesmo com a lembrança das palavras do Eclesiastes, quando diz haver tempo de nascer e tempo de morrer, a sensação de desalento é inevitável, face à perda de alguém da nossa afeição. É o caso da morte recente do colega e amigo Ernani Rosado. Todos os seus muitos amigos, solidários à profunda dor da família, com certeza viveram e ainda vivem o choque da notícia inelutável, já envoltos na saudade de um convívio fraterno, ameno, inteligente e afável, que a sua presença era capaz de despertar. E os seus clientes, aqueles que tiveram a vida prolongada graças aos seus sábios cuidados médicos, graças aos seus precisos e hábeis manejos de um bisturi? E os seus ex-alunos, aqueles que receberam lições de um verdadeiro mestre da medicina, não somente no âmbito da ciência, mas também nos ditames da arte e do humanismo? Estão todos abalados, no lamento sincero nascido da estima, do respeito e da gratidão. Nessas horas, até ideias meio estranhas podem ocorrer: certas pessoas, a exemplo de Ernani Rosado, não deveriam morrer. Como é que uma pessoa tão plena de conhecimentos, tão apta para ensinar e para aprender, com tantas boas vivências a transmitir, de repente, desaparece? Como é que um ser humano de tantas qualidades, que na vida só ensinou e só praticou o bem, e que serviu de exemplo para várias gerações, de repente, deixa de existir? Bom seria se houvesse exceções às palavras do Eclesiastes, porém, devemos pensar na fragilidade do corpo, e crer na alma e na vida eterna. E acreditar com o coração nas palavras de Cristo: “Na casa do meu Pai há muitas moradas”.

Natural de Mossoró, Ernani Rosado nasceu em 1934 e se formou em Medicina na UFPE, em 1957; foi o laureado e o orador da sua turma. Fluente em inglês e formado em Letras, era também cultor da sétima arte. Professor de Clínica Cirúrgica do Curso Médico da UFRN, integrou várias instituições vinculadas à Clínica Cirúrgica, no Brasil e no exterior, entre as quais o Colégio Brasileiro de Cirurgiões, e o International College of Surgeons. Membro e fundador da Academia de Medicina do Rio Grande do Norte e da Academia Norte-Rio-Grandense de Ciências, além de integrante da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Autor de dezenas de artigos médicos e de dois livros: “O tempo que não passou” e “A memória permanente”. Sobre o escritor Ernani Rosado, disse o Acadêmico Cláudio Emerenciano, que o saudou na posse da ANRL: “Seus artigos, discursos e conferências são crônicas sobre a vida. Da vida que não descansa e não se imobiliza nunca”.

Fui seu aluno, apesar da pequena diferença de idade. Gostava de relembrar que a minha turma – 1965 – foi a primeira a homenageá-lo. Ernani Rosado talvez tenha sido o professor com maior número de homenagens das turmas concluintes de medicina da UFRN. A nós, seus colegas e amigos, resta-nos dar graças por podermos guardar as lembranças de uma vida exemplar. Com os seus entes queridos mais próximos, ficam o conforto e o alento de poderem preservar a memória de um ser humano de tantas virtudes, a quem se atribui tão altos, justos e unânimes louvores.

TRIBUNA DO NORTE | Daladier Pessoa Cunha Lima - Reitor do UNI-RN
 

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