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‘Coragem!’, documentário sobre dom Paulo Evaristo Arns, estreia nesta quinta

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Dom Paulo Evaristo Arns. FOTO LENA VETTORAZZO /AE

Durante 1h15, filme escrito e dirigido pelo jornalista Ricardo Carvalho exibe o resultado de quatro anos de 'ourivesaria', como ele próprio define a coleta de informações sobre o cardeal morto há um ano, incluindo reportagens, encontros pessoais, fotos, gravações e revelações importantes, entre elas a reunião com o general Médici, presidente no período mais violento dos anos de chumbo.

Estreia nesta quinta-feira, 14, o documentário ‘Coragem! As muitas vidas do cardeal D Paulo Evaristo Arns”, escrito e dirigido pelo jornalista Ricardo Carvalho. A data, 14 de dezembro, marca um ano da morte de Dom Paulo. O documentário poderá ser visto no Espaço Itaú de Cinema em São Paulo, Rio, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Brasília e Santos. Em São Paulo, o Cine Caixa Belas Artes vai exibir o filme entre os dias 14 e 20.

Durante 1h15, ‘Coragem’ – uma das virtudes do cardeal que enfrentou a ditadura militar – exibe o resultado de quatro anos de ‘ourivesaria’, como o próprio Carvalho define a coleta de informações armazenadas sobre o cardeal, como reportagens, encontros pessoais, fotos, gravações.

O filme traz capítulos históricos, como a reunião do cardeal com o general Médici, presidente no período mais violento dos anos de chumbo (outubro de 1969 a março de 1975), a correspondência de Dom Paulo com Fidel Castro, as visitas aos porões da ditadura militar em busca de presos, e as idas a Brasília em busca de desaparecidos.

“Foi um trabalho de ourivesaria”, compara Ricardo Carvalho, ‘buscando a melhor fala, descobrindo coisas pouco conhecidas, entrevistando pessoas chaves’.

As informações sobre o documentário foram divulgadas pela Atelier de Imagem e Comunicação.

O vasto material reunido por causa do seu ofício e a proximidade com Dom Paulo motivaram Ricardo a escrever e a dirigir o filme. “Por conta de minha experiência profissional acumulada em tantos anos, achei que era hora de escrever e dirigir um documentário que pudesse expandir ainda mais o trabalho de Dom Paulo.”

Ele conta que teve a colaboração decisiva de Maria Ângela Borsói – secretária de Dom Paulo por mais de 40 anos, que lhe deu acesso à Sala Cardeal Arns -, da família do religioso, de veículos de informação como Folha de S. Paulo, TV Globo, TV Cultura, TV PUC e Rede Rua, que cederam material de arquivo. E, ainda, o Instituto Vladimir Herzog, a Globo Filmes e a GloboNews, coprodutoras do documentário.

Arcebispo de São Paulo de 1970 a 1998, Dom Paulo dedicou sua atuação à melhoria da vida das comunidades carentes, ao mesmo tempo em que lutou corajosamente pelos direitos humanos durante todo o período da ditadura militar.

O documentário é resultado de uma missão que se estendeu por quatro anos.

Com mais de 30 anos de profissão, Ricardo foi repórter dedicado ao segmento de direitos humanos no jornal Folha de S. Paulo. Em seguida, e por um longo período, trabalhou na TV Cultura e na TV Globo. Mais tarde, tornou-se dono de uma produtora independente.

“Por conta de minha experiência profissional acumulada em tantos anos de carreira, achei que era hora de escrever e dirigir um documentário que pudesse expandir ainda mais o trabalho de Dom Paulo”, relata o jornalista.

‘Coragem!’ tem roteiro e direção de Ricardo, narração do ator Paulo Betti, produção da TVM-documentários, com apoio do Itaú e do Instituto Arapyaú.

Três meses antes de morrer, D. Paulo assistiu uma das versões do filme. Ricardo lembra da emoção do Cardeal da Esperança ao abraçá-lo e a Ivo Herzog, diretor do Instituto Vladimir Herzog, que apoiou a realização do filme.

Autor de dois livros sobre Dom Paulo, Ricardo lançou o primeiro em 2010. Em ‘O Cardeal e o Repórter’ ele narra os bastidores das 11 mais importantes reportagens que ele fez para a Folha de S. Paulo entre 1975 e 1979.

“Em uma delas, mostro como a pressão de D Paulo tirou do Manicômio Judiciário de Franco da Rocha o único preso político internado num manicômio de que se tem notícia durante a ditadura”, conta o jornalista e diretor.

No segundo, ‘O Cardeal da Resistência – As muitas vidas do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns’, editado pelo Instituto Vladimir Herzog e a Editora Autêntica, em 2013,

Ricardo detalha o trabalho incansável que Dom Paulo, como arcebispo de São Paulo, realizou de 1970 a 1998 ’em favor dos pobres da cidade grande, dos humildes, dos humilhados e da sua inquebrantável coragem de enfrentar os militares durante os 20 anos da ditadura brasileira’.

D. Paulo Evaristo Arns, filho de imigrantes alemães, nascido em 1921 na pequena Forquilhinha, em Santa Catarina, D. Paulo era um dos 13 filhos do casal.

De origem simples, ingressou no seminário franciscano e foi ordenado sacerdote em 1945. Mais tarde dedicou-se aos estudos brasileiros, latinos, gregos, e ainda à literatura antiga na universidade de Sorbonne, em Paris. Dedicado aos mais pobres, D. Paulo atuava pelo direito de todos ao exercício da cidadania. E lutou, intransigentemente, em prol dos direitos humanos.

Em 1972, ele criou a Comissão Brasileira Justiça e Paz, que articulou denúncias contra o arbítrio.

Em 1975, ano do assassinato do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo (anunciado como suicídio), D. Paulo se ergueu ao lado de vários segmentos sociais pela justiça.

Ao lado do rabino Henri Sobel e do reverendo evangélico Jayme Wright, o cardeal realizou no dia 31 de outubro de 1975 o Culto Ecumênico que reuniu mais de oito mil pessoas na Catedral da Sé, em homenagem a Herzog.

Algum tempo depois o arcebispo iria capitanear, ao lado de Sobel e Wright, o projeto Brasil: Nunca Mais.

Os três, contando com uma equipe de 30 auxiliares iria, em seis anos e clandestinamente, levantar centenas de casos sobre vítimas, presos e torturados, processos e documentos oficiais sobre as vítimas do arbítrio.

O trabalho, publicado em livro com o mesmo nome, Brasil: Nunca Mais, denunciou e mostrou ao mundo o que ocorria no Brasil. E tornou-se uma referência para pesquisadores.

D Paulo também foi o criador, em 1985, da Pastoral da Infância, com apoio de sua irmã, a médica Zilda Arns (que morreu vítima do terremoto no Haiti em 2010), realizando.

Em abril de 1998, por força da idade, ele renunciou ao cargo, detendo o título de cardeal emérito de São Paulo. Morreu em dezembro de 2016, vítima de broncopneumonia.

Serviço
“Coragem! As muitas vidas do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns”
Diretor e roteirista: Ricardo Carvalho
Narração: Paulo Betti
Produção: TVM-documentários
Coprodução: Globo Filmes e GloboNews
Patrocínio: Itaú, Instituto Arapyaú
Apoio: Instituto Vladimir Herzog
Estreia: 14 de dezembro de 2017
Local: circuito Espaço Itaú de Cinema em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília e Salvador.
Em São Paulo, o Cine Caixa Belas Artes vai exibir o filme entre os dias 14 e 20 de dezembro.

Fonte: http://politica.estadao.com.br
 
 Natal/RN - Brasil,